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Jornalista e hacker dividem cela na PF

Durante o período em que ficou preso na sede da Polícia Federal, em Brasília, o jornalista Oswaldo Eustáquio dividiu cela com Thiago Eliezer Martins Santos, conhecido como Chiclete, preso em 2019 por hackear celulares de autoridades, dentre eles o do ex-ministro de Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, no âmbito do caso que ficou conhecido como “Vaza Jato”. O hacker é um dos suspeitos de ter ligação com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, onde as mensagens hackeadas foram divulgadas.

O que chama atenção é que Thiago Eliezer só foi preso após uma denúncia feita pelo jornalista Oswaldo Eustáquio, em seu Twitter. Na ocasião, Eustáquio estava em um Congresso de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em São Paulo, e após uma pausa para tomar um café, ele ouviu colegas de redação de Greenwald “desesperados dizendo que ele (Greenwald) havia adulterado as mensagens do ministro Sérgio Moro e dos procuradores da Operação Lava-Jato”. Dias depois cinco hackers foram presos, todavia Chiclete só foi preso em seguida, após Eustáquio denunciar seu nome, sobrenome e apelido. 

O jornalista e o hacker se encontraram após Thiago Eliezer ser transferido do Complexo Penitenciário da Papuda para a sede da PF com o objetivo de realizar uma delação premiada que pode expor a organização criminosa que comandava e financiava os hackers, conforme informou a Polícia Federal.

De acordo com fontes de dentro da Polícia Federal, o hacker ficou surpreso ao encontrar o jornalista e disse estar de frente com o homem que o denunciou. 
 

Prisão de Oswaldo Eustáquio

O jornalista Oswaldo Eustáquio, preso desde o dia 26 de julho por ordem do ministro Alexandre de Moraes, foi libertado no domingo (5) em Brasília. Após dez dias de prisão, sem que nenhuma acusação formal tenha sido feita, Eustáquio foi solto por um motivo simples: nada que o desabonasse foi encontrado.

A prisão de Eustáquio provocou inúmeras reações contrárias entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, entidades da classe jornalística, como a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), ignoraram o abuso do STF.

Oswaldo Eustáquio foi preso no âmbito do inquérito 4.828, que apura “atos antidemocráticos”. Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista negou ter propagado mensagens contra instituições democráticas ou qualquer tipo de apoio à intervenção militar, ressaltando que participou das manifestações de apoio ao presidente para realizar cobertura jornalística.

Fonte: Brasil Sem Medo

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