Cotidiano

Negócio da China

O que está por trás do escritório do Governo de SP em Xangai?

A deputada estadual Leticia Aguiar (PSL-SP) protocolou um requerimento na Assembleia Legislativa (Alesp), solicitando ao Governo de São Paulo informações sobre o escritório comercial do Estado localizado em Xangai, na China.

O documento foi feito pela parlamentar ainda no início da pandemia de Covid-19 no Brasil, no dia 23 de abril, solicitando diversos esclarecimentos como:

  • critérios técnicos para escolher a China para implementar o escritório;
  • custo mensal da manutenção do escritório;
  • quantas novas empresas estão em incubação no local;
  • se o escritório continuou operando durante o período de pandemia;
  • resultados concretos do escritório durante a pandemia, dentre outros.

De acordo com a Alesp, o requerimento foi entregue ao Secretário de Estado de Governo no dia 12 de maio. O prazo inicial para resposta era de 30 dias e foi prorrogado por mais 30, porém, já se passaram mais de 70 dias e o Governo de São Paulo ainda não se pronunciou. O prazo limite para resposta era de 60 dias.

“Estamos pedindo esclarecimentos sobre esse escritório que João Doria implantou na China. Se os resultados são bons, não há o que esconder da população paulista. Meu papel é fiscalizar as ações do executivo, vou seguir cobrando e investigando as ações do Governo de São Paulo, mesmo que demorem para nos responder, não vamos parar”, disse a deputada Leticia Aguiar.

Segundo o InvestSP, esse é o primeiro escritório instalado no exterior pelo Governo de São Paulo. Financiado 100% pela China, o escritório tem recepção, duas salas de reunião e uma grande sala com estações de trabalho, distribuído em 125 metros quadrados. O espaço começou a operar oficialmente no dia 12 de agosto de 2019.​

De acordo com o Governo de SP, o escritório foi criado para para fortalecer a relação bilateral entre o estado e o país asiático, com objetivo de firmar a cooperação em oito áreas estratégicas de São Paulo (agricultura, tecnologia, infraestrutura, logística, desenvolvimento econômico, energia e turismo), além de servir como parte do processo de desestatização do governo paulista.​

Calote nos respiradores chineses

No dia 16 de junho deste ano o Governo de São Paulo anunciou o cancelamento do contrato de compra de 3 mil respiradores chineses, após levar um calote. O valor total da compra era de R$ 500 milhões.

A empresa britânica, responsável por intermediar a compra com o fabricante chinês, entregou apenas 450 equipamentos (30%), no valor aproximado de R$180 mil a unidade. O valor desembolsado pelo Governo de SP foi de R$44 milhões.

A falta de garantias de entregas no contrato de compra dos respiradores levou o Ministério Público e o Tribunal de Contas a abrirem investigações sobre o caso. Em determinado momento, a empresa chegou a alegar que não sabia a localização dos respiradores e que não havia previsão de entrega.

Vacina chinesa

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou no dia 11 de junho que São Paulo vai produzir uma vacina contra o novo coronavírus. Isso será possível por meio de uma parceria firmada entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac Biotech.

“Essa vacina do Instituto Butantan é das mais avançadas contra o coronavírus. E estudos indicam que ela estará disponível no primeiro semestre do próximo ano, ou seja, até junho do próximo ano. Com essa vacina poderemos imunizar milhões de brasileiros”, disse Doria.

O investimento do Instituto Butantan para os estudos nessa fase clínica é de R$ 85 milhões.

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