Cotidiano

PMs presos por liberar contrabando

Uma denúncia anônima levou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) a prender o cabo da Polícia Militar Rafael Marques da Costa, de 28 anos, e o sargento Alex Duarte de Aguir, de 38, na noite de sexta-feira (1º), por suspeita de cobrarem R$ 150 mil para libertarem um caminhoneiro e o veículo com contrabando dele.

Em nota, a Polícia Militar informou que os dois policiais militares vão responder pelo crime de corrupção passiva. (Confira abaixo a nota na íntegra)

Com os suspeitos foram encontrados vários celulares, inclusive o aparelho do caminhoneiro e documentos do veículo. Um dos aparelhos é de um homem que ajudou nas investigações e tinha gravações que revelam como foi a negociação dos R$ 150 mil. A polícia também vai investigá-lo para saber se ele fazia parte da quadrilha de contrabando.

Pessoa 1: “Quem abordou mesmo o menino foi o PM, deixaram o trator na estradinha vicinal, pegaram ele e levaram para outro canto. O caminhão ficou lá. Depois eles foram lá e buscaram o caminhão, aí onde eu entrei em contato com o motorista e dois caras veio entrar em contato comigo, num Civic prata, um cara ruivo, de barba ruiva e quem está na jogada lá é os pé preto, Polícia Militar”.

Os policiais pareciam ter pressa para finalizar o acordo e entregar o caminhoneiro.

Pessoa 1: “Ele falou daqui uma hora você me passa o dinheiro. Aí eu falei você é louco? Como é que em uma hora eu vou arrumar R$ 150 mil, vem mais debaixo esse dinheiro aí, você me dá três, quatro horas. Aí eu falei que até cinco horas eu entregava o dinheiro para eles aqui. Sabe o que ele falou para mim cara? Que se até cinco horas eu não entregar o dinheiro, que eu não preciso entregar o dinheiro mais não. Mano os caras vão roubar nossa mercadoria”.

Mas que estava negociando não conseguiu todo o montante exigido e revelou em uma mensagem.

Pessoa 1: “Aí eu não falo para os caras que só tô com R$ 30 [mil] eu falo que tô com tudo né?”

O dinheiro não chegou a ser entregue porque no momento, a polícia fez a prisão em flagrante. O local combinado foi um posto de combustíveis na avenida Gunter Hans. A polícia já requisitou imagens das câmeras de segurança do posto.

Depois de prestarem depoimentos durante este sábado, os policiais suspeitos passaram pelo Instituto Médico e Odontológico Legal (Imol) para exame de corpo de delito e já estão no Presídio Militar Estadual. Na semana que vem, eles devem passar por uma audiência de custódia e o juiz vai decidir se eles permanecem presos.

O caminhoneiro está preso na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Campo Grande, e o caminhão com a mercadoria também foi encaminhada para o mesmo local.

Confira a nota da Polícia Militar na íntegra:

“A Polícia Militar prendeu, na noite de ontem (1º/12), por meio do seu Batalhão de Choque e policiais militares lotados no GAECO, dois policiais militares pelo crime de corrupção passiva.

O comando da corporação informa que a prisão ocorreu no bairro Tarumã, na Avenida Dr. Gunter Hans, por volta das 20h00min, quando foi confirmada a denúncia de que dois policiais militares estariam próximos a um motorista de caminhão e do referido veículo para, em tese, exigir valor pecuniário para liberação.

O motorista foi preso e o caminhão com contrabando de cigarros foi apreendido; ambos encaminhados à Polícia Federal.

A Corregedoria da Polícia Militar finalizou o flagrante dos dois policiais militares, os quais serão encaminhados ao presídio militar estadual.

Assessoria de Comunicação da Polícia Militar”

Share:

Leave a reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.