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Como vai ser o mundo depois da pandemia? Bill Gates responde

O homem que em 2015 disse que o mundo não estaria preparado para evitar uma nova pandemia acredita que vamos assistir a três grandes revoluções na área da medicina como consequência da crise provocada pela Covid-19. E explica por que razão o regresso à vida normal vai demorar mais do que aquilo que muitos antecipam

Bill Gates, um dos maiores filantropos do mundo na área da saúde e cofundador da Microsoft, está convencido que estamos prestes a assistir a um dos maiores feitos já alcançados pelo Homem: se as previsões estiverem certas, então na segunda metade de 2021 várias vacinas de imunização contra a Covid-19 já estarão a ser produzidas em escala e será a resposta de imunização mais rápida alguma vez dada contra uma nova doença.

Além das tradicionais vacinas que usam uma amostra morta ou enfraquecida do vírus para ajudar o nosso corpo a aprender a combater este agente, Bill Gates acredita que vamos assistir ao crescimento das chamadas vacinas mRNA, que usam código genético para dar às células do corpo humano ‘instruções’ sobre como criar uma resposta contra um vírus. “Provavelmente podem ser produzidas mais rápido do que as vacinas tradicionais”, antecipa o multimilionário norte-americano num artigo de opinião assinado na publicação The Economist.

Este avanço na produção de vacinas será uma das três grandes revoluções às quais vamos assistir nos próximos anos como uma consequência direta da luta contra a Covid-19. Outro avanço que segundo Bill Gates vai acontecer a curto prazo é a capacidade de as pessoas fazerem testes de despistagem de novos vírus em casa, “da mesma forma que fazemos um teste de gravidez”. “Em vez de urinar para um dispositivo, vai passá-lo nas narinas. Os investigadores podem ter um teste destes apenas alguns meses depois de identificada uma nova doença”, adianta Bill Gates. Nos EUA, por exemplo, já foi aprovado o primeiro kit que permite fazer um teste à Covid-19 em casa.

O terceiro grande avanço vai acontecer na área dos medicamentos antivirais. “Não temos sido tão eficazes a desenvolver medicamentos para combater vírus como os que combatem bactérias. Mas isto vai mudar. Os investigadores vão desenvolver bases, grandes e diversificadas, de antivirais que vão ser capazes de analisar e rapidamente encontrar tratamentos eficazes para novos vírus”, adianta ainda Bill Gates.

Estas três grandes alterações vão deixar o mundo mais preparado para enfrentar a próxima grande pandemia e os avanços dados também vão contribuir no combate a doenças que já são conhecidas, adianta ainda o filantropo.

Otimista? Nim

Apesar de acreditar que na América do Norte, na Europa e no leste asiático o pico da pandemia da Covid-19 será atingido provavelmente no final do mês de abril, o mesmo não vai acontecer nos chamados países em desenvolvimento. “À medida que a pandemia abranda nos países desenvolvidos, vai acelerar nos que estão em desenvolvimento. A sua experiência, contudo, vai ser pior. Nos países mais pobres, nos quais menos trabalhos podem ser feitos de forma remota, as medidas de distanciamento social não vão funcionar tão bem. O vírus vai espalhar-se rapidamente e os sistemas de saúde não vão ser capazes de cuidar dos infetados”, explica Bill Gates.

O norte-americano defende que os países mais ricos devem ajudar os mais pobres, mas é taxativo ao dizer que ninguém estará totalmente a ‘salvo’ até que seja encontrada uma vacina. “Tanto locais ricos como pobres só vão ficar seguros assim que tivermos uma solução médica eficaz para este vírus”.

Além disso, Bill Gates pensa que o regresso à normalidade vai demorar muito mais do que o antecipado. Até que haja uma vacina, mesmo após o fim das medidas de confinamento, muitas pessoas vão assumir uma postura mais conservadora nas rotinas do dia-a-dia. “Os aeroportos não vão ter grandes multidões. Os desportos vão ser praticados em estádios praticamente vazios. E a economia mundial vai manter-se em depressão porque a procura vai manter-se em baixa e as pessoas vão gastar de forma mais conservadora”.

Apesar dos alertas, o cofundador da Microsoft mostra-se otimista quanto ao desfecho final desta ‘história’: “Acredito que a humanidade vai vencer esta pandemia, mas apenas quando a maior parte da população estiver vacinada”.

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