Cotidiano

PF ainda investiga se ataque a Bolsonaro foi ação eleitoral

Além da ajuda do PCC, corporação apura circunstâncias da ida de Adélio à Câmara

Além de investigar a possível participação do PCC no atentado a faca contra Jair Bolsonaro (PSL), a Polícia Federal (PF) quer levantar detalhes da visita que Adélio Bispo de Oliveira fez à Câmara dos Deputados em 2013. Para líderes do PSL, os “fortes indícios” de ligação da organização criminosa com o autor da facada reforçam a tese de que o ataque teve motivação eleitoral. Eles acreditam que o PCC pode ter atuado com ajuda de partidos.

Um despacho do delegado Rodrigo Morais Fernandes, que comanda o inquérito sobre o crime, pede a prorrogação do prazo para ir em busca de provas que podem indicar que Adélio Bispo não atuou sozinho. Um dos motivos para aumentar o prazo, segundo o documento, é “encerrar as diligências sobre as circunstâncias relacionadas à estada de Adélio Bispo de Oliveira na Câmara dos Deputados, mediante perícia técnica no sistema de controle de acesso daquela Casa Legislativa, dentre outras medidas complementares de cunho investigativo”.

O presidente do PSL de Minas Gerais, deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, afirma que a PF já fez o pedido de informações junto à presidência da Câmara sobre a visita de Adélio ao Congresso. “A Polícia Federal já fez o pedido de todos os detalhes da visita ao Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados). Provavelmente essas informações já estão com os delegados para analisar toda essa situação que pode ajudar a elucidar esse caso”, disse.

Para Marcelo Álvaro Antônio, a possível participação do PCC no ataque a Jair Bolsonaro só comprova a tese de que Adélio não agiu sozinho e que houve motivação política nesse atentado. “A gente sempre soube que ele (Adélio) não agiu sozinho. Agora, a polícia começa a esclarecer de onde surgiu a motivação para o crime”, disse. O deputado também afirmou que ainda é cedo para dizer que há participação de partidos políticos no atentado, mas disse que é muito provável que o PCC tenha sido apenas um meio utilizado para executar o crime.

“Isso tudo tem que ser bem investigado. A gente acredita que a motivação para essa facada foi, sim, política, com interesses eleitorais. É claro que, com as informações que temos até agora, não podemos afirmar que há partidos políticos envolvidos. Mas é preciso apurar tudo a fundo. No passado, já houve escutas de membros do PCC relacionadas a militantes do PT. Mas é cedo para fazer acusação nesse momento. O que temos certeza é que Adélio não agiu sozinho, por livre e espontânea vontade”, completou. O deputado também lembrou que Adélio Bispo já foi filiado ao PSOL.

Facção

O TEMPO revelou nesta sexta-feira (19), com exclusividade, que as investigações da Polícia Federal encontraram “indícios fortíssimos” de que o PCC, maior facção criminosa do Brasil, estaria dando suporte a Adélio Bispo. Uma das principais suspeitas dos investigadores recai sobre Klayton Ramos de Souza. Membro do PCC, o “Veim”, como é chamado pela facção, é amigo de Adélio. Os dois se conheceram em Montes Claros, onde nasceram e cresceram. Até este ano, mantinham contato por redes sociais. “Veim” tem passagens por homicídio e já cumpriu pena no Presídio Regional de Montes Claros.

Além disso, alguns dos advogados de Adélio já defenderam outros membros do PCC. É o caso de Fernando Costa Oliveira Magalhães, que já teve como clientes pelo menos três membros do PCC condenados em Minas. Em entrevista publicada nesta sexta-feira em O TEMPO, ele negou ser advogado do PCC e afirmou que “eventualmente” pega “clientes ditos de facção”.

Tramitação do inquérito

Prazos

A investigação da Polícia Federal (PF) foi iniciada no início deste mês. Na quinta-feira (18) a PF pediu a prorrogação do prazo para entrega do inquérito para aprofundar a apuração sobre possível envolvimento de Adélio Bispo com o PCC.

Dose dupla

Esse é o segundo inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o caso. Outro processo de investigação foi iniciado no dia do atentado. Nele, a PF chegou à conclusão de que Adélio agiu sozinho na hora do ataque.

Denúncias

O novo inquérito foi aberto a partir de informações enviadas por cidadãos e até mesmo parlamentares. Houve, inclusive, a participação da inteligência do Exército em busca de novos elementos relacionados ao ataque.

 

Minientrevista

Marcelo Álvaro Antônio

Presidente do PSL/MG

Surpreendeu a possível participação do PCC no atentado contra Jair Bolsonaro?

Na verdade, a gente já esperava isso. Não foi uma surpresa. Desde o atentado, já sabíamos que Adélio não agiu sozinho. A gente sempre acreditou que havia um suporte por trás dele.

Você acredita, então, que o atentado teve uma motivação política?

Isso tudo tem que ser bem investigado. A gente acredita que a motivação para essa facada foi, sim, política, com interesses eleitorais. É claro que, com as informações que temos até agora, não podemos afirmar que há partidos políticos envolvidos. Mas é preciso apurar tudo a fundo. No passado já houve escutas de membros do PCC relacionadas a militantes do PT. Mas é cedo para fazer acusação nesse momento. O que temos certeza é que Adélio não agiu sozinho, por livre e espontânea vontade. Temos que lembrar também que ele já foi filiado ao PSOL.

Você acha que a visita de Adélio à Câmara dos Deputados pode ajudar a elucidar essa motivação?

Pode contribuir, sim. A Polícia Federal já fez o pedido de informação à Presidência da Câmara dos Deputados. Agora, os policiais têm que periciar esses dados.

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